domingo, 7 de novembro de 2010

[sobre os tics e os tacs]



[Sobre os tics e os tacs.]


Pergunte ao espelho das horas.
Pergunta indefesa.

Pergunte ao caderno das sílabas.
Talheres sobre a mesa.

Pergunte a canções respingadas.
A relva, a natureza.

Pergunte a quem sabe nada
De paz e de beleza.

Pergunte ao teto na missa
Se lá Deus é tristeza.

Pergunte ao pássaro aflito
Um sopro de certeza.

Pergunte se trinta e quatro
Das trincas portuguesas...

Pergunte ao ingênuo passo
Se beijo é aspereza.

Parece que um dia fui morto:
Sou feito de frieza.

Padece do peito um açude.
Fiapos na moleza.

Esquece da vida o estorvo.
Tu és a fortaleza.

Do coração nasce a vontade:
De desbater a estranheza.

Pergunte ao espelho das horas.
Pergunta indefesa.

Pergunte se ainda persiste
A vida, a realeza.

Pergunte pra dentro da alma.
Um lado é incerteza.

O outro é carta marcada
Lançada sobre a mesa.

(14.03.08)

2 comentários:

  1. Tem uma singeleza no seu lirismo... singeliza de menina que colhe flores

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  2. Se em ocasião de devaneio, roubasse seu verso, o faria "Por todo lado a incerteza."...Seria minh'alma, pura e simples, se manifestando.

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