
[Sobre os tics e os tacs.]
Pergunte ao espelho das horas.
Pergunta indefesa.
Pergunte ao caderno das sílabas.
Talheres sobre a mesa.
Pergunte a canções respingadas.
A relva, a natureza.
Pergunte a quem sabe nada
De paz e de beleza.
Pergunte ao teto na missa
Se lá Deus é tristeza.
Pergunte ao pássaro aflito
Um sopro de certeza.
Pergunte se trinta e quatro
Das trincas portuguesas...
Pergunte ao ingênuo passo
Se beijo é aspereza.
Parece que um dia fui morto:
Sou feito de frieza.
Padece do peito um açude.
Fiapos na moleza.
Esquece da vida o estorvo.
Tu és a fortaleza.
Do coração nasce a vontade:
De desbater a estranheza.
Pergunte ao espelho das horas.
Pergunta indefesa.
Pergunte se ainda persiste
A vida, a realeza.
Pergunte pra dentro da alma.
Um lado é incerteza.
O outro é carta marcada
Lançada sobre a mesa.
(14.03.08)
Tem uma singeleza no seu lirismo... singeliza de menina que colhe flores
ResponderExcluirSe em ocasião de devaneio, roubasse seu verso, o faria "Por todo lado a incerteza."...Seria minh'alma, pura e simples, se manifestando.
ResponderExcluir